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Nostalgia - As motos na minha época. Parte II

                  Nos anos 80 e 90 havia uma hegemonia das motos Honda no eixo Timon-Teresina, o censo comum não só dizia que motor 4 tempos era melhor do que 2 tempos, e sim que motor 4 tempos presta e 2 tempos não presta, o que claro não é verdade, porem os motores 2 tempos estavam realmente fadados a serem suprimidos pelos 4 tempos,  também foi comum a associação da marca Honda aos motores 4 tempos e da Yamaha aos motores 2 tempos, isso claro nas motos de pequena cilindradas que eram tipo, 90%, das que existiam na cidade e durou até o surgimento da YBR 125 que acabou quebrando dois tabus, o que as motos Yamaha não tinham qualidade e a eficiência da corrente de comando em motos de pequena cilindrada, que contava agora com ajuste automático, ela foi lançada no Brasil em 2000, e foi a minha primeira motocicleta, os vendedores suavam a camisa e faziam de tudo pra vender, o que me vendeu chegou a me emprestar 4 cheques para pagar a entrada afim de que eu consegui-se financiar a moto, a ideia seria passar um ano com ela depois vender e comprar uma Honda pois a ideia de que só a Honda era boa também habitava minha mente, ocorre que a qualidade do produto falou mais alto e nunca tive uma motocicleta Honda, não desmerecendo a marca , porem o brasileiro deve aprender que o bom não é só um e a concorrência eleva o nível de qualidade de todos. O certo é que não só as duas marcas citadas mas varias outras entregam produtos de excelente qualidade. 
XLX 350 ( imagens publicas da internet)
Porem o papo é mesmo de nostalgia e então quem não lembra da XLX 350, dava até medo de pilotar, a partida a pedal era difícil pois era muita compressão a ser vencida pelo pedal, o barulho era um show a parte e apesar da diferença de cilindrada ela concorria com a DT 180 da Yamaha, essa moto impunha respeito em todos os aspectos, para nossos olhos ela era uma alta cilindrada dada a hegemonia das 125, a suspensão mono-choque e altura no geral, eram características marcantes, os modelos clássicos, assim como a DT traziam uma aérea para fixação de um numero de competição nos acabamentos laterais e na carenagem dianteira, o moderno farol quadrado, as proteções plásticas de punho e o guidão de grande envergadura completavam esse ícone.
XL 125 ( imagens publicas da internet)
       A XLX tinham uma irmã feia, para mim feia é pouco, a XL 125 ou "Xiselinha" era a preferida dos correios e de algumas empresas que faziam entregam, e apesar de feia também tinha seus fãs, a ideia de moto trail com suspensão traseira bichoque sem pareceu bizarro pra mim, assim com a TT da Yamaha parecia uma "Gambiarra de fabrica" mas se os engenheiros colocaram lá... vá lá. Uma observação interessante dessa época era a tendência do design que criou os estereótipos de que redondo é antigo ou clássico e quadrado ou retangular era moderno, muitas motos tinham o conjunto de piscas , retrovisores e farol todos redondos ou todos quadrados ou retangulares, porem as linhas XL traziam os piscas quadrados com o restante do conjunto redondo, dando uma ideia de produto de transição.
XLX 250 ( imagens publicas da internet)
      Não era a top mas também muito querida a XLX 250 tinha o trabalho de combater a DT 180, mas a DT brigava mesmo era com a irmã maior, porem ao contrario da XL 125 ela era mais bonita, a suspensão traseira mono-choque e a mesma silhueta da 350, só diferenciada pelo tanque, tamanho e ausência dos acabamentos sub tanque, um detalhe interessante a grade plástica na frente do farol que havia em todas as trails citadas aqui, uma proteção extra para farol. Também eram equipadas com um protetor de punho para evitar que as mão fossem machucadas pela vegetação nos circuitos de trilhas, apesar de nessa foto não aparecer.
Elefratré 27.5 ( imagens publicas da internet)
    Lembra que falei que o Honda estava associado a única marca que era moto de verdade? então o que dizer das motos Agrale?, não me lembro de outros modelos Agrale de motos que vi na "minha época" a não ser a serie Elefant, sempre me pareceu controversa, nunca entendi o desing, não parecia um elefante, não entedia os números 16.5, 27.5 e 30.0  que não faziam referencia as cilindradas e sim a potencia em CV   e só depois de algum tempo entendi a "Elefantré", isso mesmo, os modelos dessa moto de primeira e segunda geração se chamavam Elefant e a de terceira Elefantré, a moto foi tão zoada quando a MZ, lembro que quando havia promoções de lojas ou bingos que premiavam uma moto a Elefant ou Elefantré era quase sempre o premio, Os donos dessas Agrale sofriam com a indisponibilidade de peças e baixíssimo valor de revenda, em contrapartida ja vi um 27.5 deixar para trás as XLXs e DTs em circuitos de cross e trilhas. A Agrale tinha um acordo de cooperação técnica e comercial com a empresa italiana Cagiva e foi a primeira vez que uma moto brasileira teve um sistema de arrefecimento a água. 
CB 400 ( imagens publicas da internet)
        Ao encarar uma  Honda CB 400 pela primeira vez a admirei em primeira mão pelo imponente motor de dois cilindros e os espetaculares dois escapamentos, a envergadura do motor e as rodas de dupla chapa combinada em formato de estrela dava a essa moto um ar superioridade, tudo na moto seguia a tendência de ser maior, os piscas e o painel de instrumento eram maiores. Nunca pilotei uma delas, os donos dessas motos que conhecia eram capazes de emprestar a esposa mas nunca suas motos.

CB 450 DX ( imagens publicas da internet)
        Imagine pegar a CB 400, que na época já era perfeita aos meus inexperientes olhos e atualiza-la, essa foi a impressão que tive quando me deparei com a CB 450 DX, a primeira moto que vi a ostentar um freio dianteiro de duplo disco como também o freio traseiro a disco, essa moto mesmo nos dias de hoje ainda impressiona, sua beleza é meio que atemporal, segue o mesmo desing da 400 com requinte, as rodas com o contraste de preto e alumínio escovado e claro, os dois canos de descargas do motor de 02 cilindros.

CBR 450SR ( imagens publicas da internet)
  Sempre dividi as motos em duas categorias, as de sonho e as factíveis de se obter um dia, algumas motos só se viam mesmo em filmes naquela época e naquele lugar, e as hards bikes carenadas excitavam a mentes dos amantes de motos, nesse conceito a Honda CBR 450 foi a dream bike, lá com os meus  20 anos tive o prazer e o orgulho de pilotar esse sonho, a experiência foi indescritível, a maquina chamava a atenção de todos por onde passava, e não duvidem ainda chama, essa branca com azul então. a harmonia do desing da carenagem e um encaixa perfeito do farol , os piscas dianteiro em formato de bolha, e o para-lama dianteiros fazendo o papel de defletor de ar fazem dessa moto uma das mais bonitas de todos os tempos.
   
RD 350 ( imagens publicas da internet)
Em se tratando de motos nenhum Hall da Fama que se preze poderia deixar de fora duas motos que falarei a seguir, a primeira é a tempestiva , nervosa , super rápida e perigosa Yamaha RD 350, que apesar de nem todas serem pretas ganhou o apelido de "Viúva Negra" por ceifar a vida de muitos pilotos e apesar da menor cilindrada o seu motor 2 tempos deixava a 450 da Honda para trás, a segurança nunca foi o ponto forte, era instável e bem ruim de freio, mas merece seu lugar, no desing ela foi uma das primeiras motos carenadas a ter os retrovisores presos a carenagem e não ao guidão.
          A rainha das motos nos anos 80 e 90 sem duvida foi a "motos das motos", não tínhamos contato com as HardBikes da Suzuki e  Kawazaki a não ser pela minha preciosa coleção da revista "Duas Rodas" e no "mundo real" o espetáculo em duas rodas ficou por conta mesmo da CBX 750F, com as corres do cigarro Hollywood e depois a versão Indy fizeram o juízo dos aficionados por duas rodas girar, o Farol era Retangular porem internamente divididos em dois circulares, o painel largo com vários instrumentos era bonito e bem acabado , a semi carenagem foi proposital para ostentar o tamanho do motor e os 4 cilindros em linha com suas 4 saídas de escape se unindo por baixo de um mini carenagem atrelada ao cárter, não tinha linhas tão harmoniosas quanto a da CBR 450 e ainda insistia nos retrovisores no guidão, corrigindo, nos semi guidãos, pois esse modelo as manoplas eram disposta em semi guidãos acoplados a bengala do amortecedor, mas ainda assim era o máximo em moto que se podia ter.

CBX 750 F ( imagens publicas da internet)


Texto de Patrício Chaves

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